
O deputado estadual Glauber Coelho (PR) reafirmou sua disposição de
concorrer à prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim, o mais importante
colégio eleitoral do sul do Estado, com mais de 130 mil votos. Ele diz
que as condições políticas lhe são favoráveis, contou que tem conversado
com seus eventuais adversários na disputa e destacou que entende ser
possível uma aliança sua com o também pré-candidato a prefeito e
deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM).
Ele não poupou de críticas a gestão atual do prefeito Carlos
Casteglione, qualificando-a de excessivamente burocrática e lenta, e
assinalou que somente Deus o faria desistir de sua pré-candidatura.
Eis abaixo sua entrevista .
Século Diário - O senhor havia declarado por diversas vezes que,
caso o deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM) viesse a ser
candidato a prefeito de Cachoeiro, o senhor não se lançaria na disputa,
apoiando-o. Isso por sua ligação política, pelo grau de amizade entre os
senhores. O que o levou a entrar na disputa?
Glauber Coelho – Na verdade, sempre disse publicamente
do carinho, do respeito e da admiração que tenho pelo Theodorico, até
porque foi ele quem me iniciou na vida pública. E eu sou muito grato ao
Ferraço pelas oportunidades que ele me deu. Da mesma forma ao Valadão
(ex-prefeito Roberto Valadão (PMDB). Sou muito grato a ele. Dei minha
parcela de contribuição, claro que dei. Mas foram muito grandes as
oportunidades que eles me deram. Eu sou um profissional da vida publica,
tanto que o PR na última eleição ajudou a eleger o Casteglione
(prefeito Carlos Casteglione (PT). Na minha visão, na minha ótica, a
nossa cidade, a “capital secreta”, tem que estar acima de credo
religioso, de disputa partidária, time de futebol etc. Abaixo de Deus,
mas acima desse tipo de discussão. Aquilo que falei lá atrás a respeito
do carinho, respeito e admiração, isso está mantido. Agora, uma decisão
de pré-candidatura não depende só de mim, Tem um conjunto de fatores aí.
Claro que uma posição minha é fundamental, já que se eu disser não vou,
não vou. Mas eu nunca fui eleito sozinho ou porque eu quis. Eu tenho
uma igreja que exerce uma influência muito grande sobre uma decisão
minha, tenho um grupo de assessores e tenho um partido político em que
não posso tomar uma decisão sem ouvi-lo. Essa é uma decisão pessoal,
política e partidária. Meu partido resolveu lançar minha pré-candidatura
e eu não sou infiel ao meu partido, tanto é que nas últimas eleições
meu coração tinha um caminho, mas a razão nos fez a opção pela eleição
do Casteglione. E eu segui a razão.
- Quanto a sua religião, qual a ala evangélica que mais influência tem sobre o senhor. A tradicional?
- Isso é relativo, porque a minha capilaridade de atuação e de votos
está tanto nos conservadores quanto nos petencostais, quanto nos
chamados neopetencostais e ainda quanto aos católicos. Eu tenho entrada,
abertura dentro de todas as igrejas. E isso se deve ao trabalho que fiz
como vereador e secretário municipal. Nunca coloquei religião na minha
frente, sou profissional, tenho procurado me preparar e capacitar como
gestor público, por isso tenho facilidade de entrar em todos os
segmentos sociais.
- O senhor está aberto ao dialogo, à conversação, à negociação? É
possível uma composição do senhor tanto do lado do Ferraço quanto do
Casteglione?
- Claro que sim, sem sombra de dúvida, e eu nunca neguei isso para
ninguém. Porém, hoje o PR tem uma pré-candidatura lançada. De hoje até a
data das convenções eu vou trabalhar para pavimentar esse caminho,
porque uma decisão de candidatura acontece em dois tempos, podemos
dizer. O primeiro tempo foi tomado, que é a pré-candidatura, o segundo
tempo tem uma série de fatores que são a condição financeira, condição
partidária – tenho que ter um grupo de partidos para que eu tenha um bom
tempo de televisão. Isso não quer dizer que é condição sine-qua-non,
não tem volta, tá ratificada uma candidatura minha, ela está posta, está
colocada. Mas eu particularmente tenho aberto conversações com os dois
lados, principalmente com o Theodorico Ferraço.
– O senhor estaria admitindo que seria possível uma composição com o Ferraço?
- Claro que sim. Eu não neguei isso, nem da vez passada e também não vou
negar agora. Como existe possibilidade de negociação com o Casteglione
também, Por que não? Se vai se concretizar, aí são outros quinhentos.
Hoje o sentimento popular, pelo que tenho escutado nas ruas, circulando,
me reunido, isso me dá combustível para seguir adiante. Diria hoje que
só Deus retira uma candidatura nossa. Só não sou candidato a prefeito de
Cachoeiro se não for pela vontade de Deus. Isso não quer dizer que eu
não tenha dialogo, conversação com os outros lados. Claro que tenho e
vou continuar tendo.
- Há pouco mais de um ano o eleitorado votou no senhor para
deputado estadual. No entanto, menos de um ano de mandato o senhor se
lançou pré-candidato a prefeito. Não fica uma certa frustração no seu
eleitorado?
- Vou responder invertendo a situação. Primeiro, vou fazer um crítica à
nossa legislação. Na minha ótica, na minha visão, a legislação deveria
ser toda ela igualitária, estabelecendo o mandato político de quatro em
quatro anos ou de cinco em cinco anos, porque assim acabaria com isso.
Sou a favor de eleição de quatro em quatro ou de cinco em cinco anos a
fim de não dá margem a este tipo de comentário e de pensamento. Você
tocou num ponto importante, determinante na minha eleição, já que isso
vai ter um peso muito grande na minha candidatura ou não. É uma
avaliação que estou fazendo.
- O senhor acha então que o eleitorado pode fazer um julgamento critico dessa sua pré-candidatura?
- Talvez sim, talvez não. É por isso que eu gosto de ouvir as pessoas
antes de tomar uma decisão, e nesse período que tenho para pavimentar
esse caminho é isso que estou fazendo. E o sentimento que tenho extraído
é o de que alguns não abrem mão de minha candidatura, pois entendem que
pela minha capacidade de agregar o mandato de prefeito poder ser muito
útil para toda a região sul. Outros não abrem mão do mandato de
deputado. Acham que eu posso colaborar, ajudar, alicerçar muito mais a
região com mandato de deputado do que de prefeito. Então é uma decisão
difícil de ser tomada. Mas estou ouvindo muito antes de tomar uma
decisão.
- Antes de o senhor se lançar pré-candidato a prefeito seu nome era
cogitado como uma virtual carta por parte de um grupo político para
2014, quando o senhor receberia apoio para uma disputa a deputado
federal. O senhor abriria mão agora de uma candidatura a prefeito e
teria o apoio desse grupo político em 2014. Uma vitória do senhor ou uma
derrota nesse ano não poria fim a esse projeto?
- Naturalmente que não é prioridade para mim essa carta. Talvez seja
prioridade para outros que queiram me dar essa carta, mas para mim não é
prioridade. Não estou dizendo que esta carta para 2014 não seja
importante, mas não é prioridade . Pode se tornar, mas até agora não.
- Se frustrar agora seu projeto de conquistar a prefeitura, uma
candidatura sua em 2014 para deputado federal não vai esbarrar em alguma
dificuldade?
- Sim, isso vai. A minha prioridade é o mandato de deputado estadual, é a
reeleição e não o mandato de federal agora. Isso porque estou me
identificando com aquilo que estou fazendo. Acho que posso ter outras
oportunidades aqui no Estado antes de priorizar Brasília. Hoje, as
pesquisas mostram e demonstram que tenho uma condição muito favorável,
ou seja que uma candidatura nossa não é barco afundando.
- No seu projeto político o senhor pretende aglutinar em torno de seu nome quais forças políticas?
– Todas as forças políticas que querem o bem para Cachoeiro de
Itapemirim. Se a resposta for: todas querem, então existe dialogo com
todas.
- O ex-prefeito Roberto Valadão que lidera o PMDB de Cachoeiro
já colocou como possível uma aliança com o pré-candidato Theodorico
Ferraço. O senhor esperaria, por exemplo, do PDT, PSB, PSDB e outras
siglas uma aproximação em sua direção?
- Não só com eles, mas também com o PMDB e o Democrata de Ferraço,
porque ele não disse até agora, publicamente, eu sou candidato a
prefeito de Cachoeiro de Itapemirim. Se ele não falou que é candidato
fica um ponto de interrogação. Vamos trabalhar por hipótese. E se ele
não for? A diferença é que tenho um bom relacionamento com todos. Passei
o ano de 2011 todo focado no meu mandato de deputado estadual, mas esse
ano, após o carnaval, vai ser diferente.
– O seu partido que ajudou a eleger o prefeito Casteglione
recebeu ordem de se retirar da base de apoio, inclusive entregando os
cargos que tinha na administração. Isso praticamente soou como um
rompimento político. Como fica essa situação?
- Eu não tenho autoridade nem autonomia para responder no lugar do
senador (Magno Magno, presidente regional da legenda), até porque, de
cima para baixo, o PR historicamente é parceiro do PT. O Magno é colega
da Dilma (a presidente da República, Dilma Roussef). Sabe-se lá o que
eles conversam lá em cima. Eu não sei. Agora na vida publica tudo é
possível. Voltando lá atrás, colocando na balança Ferraço e Casteglione,
qual seria minha prioridade. Disse que não tenho dificuldade com nenhum
dos dois, mas tenho uma caída pelo Ferraço.
- Isso não dificultaria o senhor ir para embate eleitoral com o Theodorico Ferraço?
- Não, porque tenho um pensamento diferente. Eu não vou para embate
político com ele, nem com o Casteglione, nem com qualquer outro
candidato. Vou para um processo eleitoral para manifestar as minhas
opiniões.
- Seu perfil político está mais próximo do Ferraço do que do Casteglione?
- Meu perfil político tem uma semelhança muito grande com o do Ferraço.
Exemplo: o que o Ferraço tem que eu admiro? Sua coragem, ousadia,
destemor, aguerrido, realizador, e isso aprendi com ele e tenho isso
também. Tenho também muita coisa do Valadão. Peguei de ambos muita coisa
que eles têm de bom.
- O senhor, na condição de deputado, como avalia a gestão do Casteglione?
- Não vou fazer uma avaliação dele, mas daquilo que tenho ouvido da voz
rouca das ruas. Como dizia o Ulisses Guimarães: o município precisa
avançar, precisa avançar muito, precisa progredir. Eu destaco que a
secretaria da Cultura avançou. Eu aplaudo a secretária que está fazendo
um bom trabalho .
- A gestão como um todo?
- A gestão como um todo precisa avançar muito. O grande problema que ele
tem, que eles enfrentam, é letargia, lentidão, morosidade, burocracia
em excesso. Isso é um câncer em qualquer administração pública. Quem vai
notar é a população de Cachoeiro, e não vou fazer isso. Baseado nas
pesquisas, a avaliação é de que a administração não está bem.
- O senador Magno Malta, presidente do PR, sempre manteve uma
relação política estreita com o Theodorico Ferraço. Entretanto, na
última entrevista que concedeu, o Ferraço disse que não mais procuraria o
Magno para tentar uma conversa sobre Cachoeiro, já que fora atendido
por ele, em Brasilia, quando o procurou nesse sentido. O que houve entre
os dois?
- Eu acho que não houve nada. Acho que da mesma forma que o marido se
desentende com a mulher dentro de casa, depois passa um ou dois dias e
volta a ficar tudo bem, eu acho que é o caso deles. Acho, não estou
afirmando. O Magno começou sua vida política com o Ferraço também. Não
vejo motivação para briga.
Via: Seculo Diário