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sábado, 9 de outubro de 2010

Polícia de Alagoas prende mais um suspeito de participação no assassinato de empresário capixaba

Emerson Raposo

, amigo de Luiz Tomazi, foi preso pelos policiais. O rapaz apontou unicamente Hornela Guirizatto, ex-esposa do empresário, como culpada

Hornella Giurizatti, mulher do empresário Luiz Fernando Mattedi - Foto Gazeta de Alagoas.
A polícia Civil de Alagoas prendeu, na tarde deste sábado, mais um suspeito de ter mandado matar o empresário capixaba Luiz Fernando Mattedi Tomazi. Ele é Emerson Raposo, 37 anos, amigo de Tomazi. Segundo a empregada doméstica do casal, ele teria planejado o crime junto com a esposa do empresário, a dona de casa Hornela Guirizatto Libardi, 33, presa também neste sábado. A polícia está, agora, atrás de um casal de traficantes de Alagoas, amigos da mulher, apontados por Emerson como os executores do crime.

O rapaz nega o envolvimento no assassinato e apontou unicamente Hornela como culpada. "Ele negou. Então perguntei se ele achava que teria sido a Hornela. Ele disse que não só achava, como tinha certeza", conta o delegado da Polícia Civil de Alagoas Valdor Coimbra Lou.

Emerson Raposo apontou, como executores do crime, o casal de traficantes conhecidos como Mota e Neidinha. No entanto, não revelou o possível motivo do assassinato. "Ele só riu", disse o delegado.

A polícia está com Emerson nas ruas, em busca dos dois suspeitos que já estão com a prisão temporária decretada. Emerson prestará depoimento ainda neste sábado.

O crime

O casal - natural do Espírito Santo - foi abordado em Cruz das Almas, em Alagoas, e o homicídio ocorreu na Avenida Leste/Oeste, periferia de Maceió, segundo informações do portal de notícias alagoano gazetaweb.com.

As polícias acham estranho também a forma como a vítima foi encontrada: com cinto de segurança, perna cruzada, aparentemente bem à vontade.

"Na entrada da Grota do Pau D'Arco, os assassinos, segundo ela, que estavam no banco traseiro, deflagraram um tiro na cabeça de Luiz Fernando dizendo que ele havia falado demais. Achamos estranho porque ele estava de pernas cruzadas, como se os criminosos fossem conhecidos. Pelo menos não aparenta que a situação tivesse causado inquietação"- disse o cabo Bezerra.

Na manhã deste sábado (09), a Polícia Federal no Espírito Santo, a partir de investigações realizadas pela Polícia Civil de Alagoas, prendeu a mulher do empresário capixaba Luiz Fernando Mattedi Tomazi, assassinado no dia 14 de setembro, em Maceió.

Hornella Giurizatti, 33 anos, foi presa com suspeita de participação no homicídio de Luiz Fernando. Ela foi levada para a Superintendência da Polícia Federal, em São Torquato, Vila Velha, onde presta depoimento. De lá, Hornella vai seguir para Alagoas, onde corre a apuração do assassinato.

Com informações de Melina Mantovani

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Operação Broca apura fraudes com café no ES e em MG que podem atingir R$ 500 milhões

VALOR ECONÔMICO -SP


02/06/2010

Prejuízos provocados pelo esquema investigado no ES e em MG podem atingir R$ 500 milhões

Alexandre Inacio De São Paulo

A Receita Federal, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal deflagraram ontem a \"Operação Broca\", que envolvia um esquema de vantagens tributárias ilegais entre empresas comerciantes, exportadoras e torrefadoras de café do Espírito Santo e em Manhuaçu (MG). A fraude resultou em prejuízos de R$ 280 milhões aos cofres públicos, mas as perdas podem chegar a R$ 500 milhões a partir das novas análises que serão feitas.

As investigações começaram em outubro de 2007 com a operação \"Tempo de Colheita\", quando auditores da Receita fiscalizavam o setor de comércio de café, em empresas das regiões noroeste e norte do Espírito Santo, segundo maior produtor de café do país. \"Essa foi a maior operação dos últimos dez anos realizada pela Delegacia da Receita Federal do Estado\", diz a delegada da receita Laura Xavier.

Pelas vias legais, o produtor de café vende seu produto para uma empresa intermediária, conhecida no setor como maquinista ou simplesmente um atacadista. Esse intermediário adianta recursos para os produtores durante a safra e aceita fazer negócios com volumes baixos, o que muitas vezes é inviável para indústrias e grandes empresas exportadoras, que demandam negócios em grandes lotes. Desse posse de volumes maiores, o atacadista adiciona margens e custos ao produto e negocia lotes maiores com os exportadores e torrefações.

Nessa segunda operação de venda, o atacadista - vendedor - fica responsável por recolher a alíquota de 9,25% de PIS/Cofins e o comprador ganha o direito de pedir junto à Receita créditos sobre o produto comprado para, depois, recolher o imposto só sobre a agregação de valor. Na compra de uma saca de café verde, por exemplo, por R$ 200 que foi torrado e vendido proporcionalmente a R$ 250, a indústria gera crédito referente aos R$ 200 da compra a partir da nota fiscal e paga novamente o imposto somente sobre o valor agregado, ou seja, R$ 50. Essa metodologia ocorre para que não ocorra a bitributação sobre o produto.

É exatamente nessa fase onde a maioria dos problemas é identificado.

Em tese, o crédito só pode ser gerado a partir do pagamento do primeiro elo da cadeia. Se não há recolhimento por parte do primeiro vendedor, o exportador ou a indústria que faz a compra se beneficia de um crédito que não poderia ter sido gerado. A acusação da Polícia e da Receita é de que as indústrias e exportadores estariam usando empresas \"laranjas\" para poder se beneficiar dos créditos, sem que tivessem sido recolhidos.

\"A presença do atacadista na cadeia de comércio do café não é ilegal, desde que tenha capacidade econômica, logística e de pessoal para operar\", explica a delegada.

\"No Espírito Santo existem mais de 300 CNPJ\'s, sendo que a maioria deles foi criado para emitir notas e permitir a geração de créditos para exportadores ou torrefações.\" Até o fechamento desta edição, representantes do Centro de Comércio de Café de Vitória (CCCV) estavam reunidos para avaliar a operação. Procurados, nenhum porta-voz da entidade se pronunciou ou comentou o assunto.