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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Ação contra Sueli e Sérgio Vidigal tem relação com prisões feitas pela Polícia Federal

"São casos muito graves. Coação de servidores... distribuição de cestas básicas... financiamento de campanha por uma empresa que recebe dinheiro municipal", diz procurador
Casal Vidigal, ao lado de Aparecida Denadai, que é cumprimentada por Casagrande.

O Ministério Público Eleitoral (MPE) ajuizou nesta quarta-feira (15) uma ação de investigação judicial contra a deputada federal Sueli Vidigal (PDT), no mesmo dia em que a Polícia Federal desencadeou a operação "Em nome do filho", que apura denúncia de caixa dois de campanha eleitoral na Serra, reduto da parlamentar e do marido, o prefeito Sérgio Vidigal (PDT).

Na ação o MPE pede que a deputada federal seja condenada à cassação do registro ou do diploma, à inelegibilidade por oito anos e ao pagamento de multa. Os crimes apontados são os de abuso de poder econômico e político e captação ilícita de recursos. Sueli Vidigal foi reeleita para a Câmara dos Deputados com 141 mil votos.

A ação salienta que Sérgio Vidigal utilizou a máquina pública para beneficiar a mulher por meio dos programas de ação social da prefeitura, em especial o "Serra Cidadã". De acordo com a denúncia, Vidigal vinculou a imagem da candidata a esses projetos, que incluíam a distribuição de brinquedos, cestas básicas e diversos outros benefícios para a população "menos favorecida" do município.

De acordo com o procurador regional eleitoral Paulo Roberto Bérenger a ação foi motivada por denúncias de crime eleitoral posteriormente apuradas pelo Ministério Público. Ele cita como exemplo um vídeo em que carros de campanha de Sueli Vidigal distribuíam cestas básicas em bairros da Serra.

"Essa questão da distribuição de cesta básica chegou diretamente a mim, foi através de um vídeo. O vídeo em si não queria dizer muita coisa, mas aprofundando, a gente percebe que existiam outras coisas por trás disso".

A secretária de Promoção Social da Serra, Nazaret Pimentel, teria cedido servidores da administração municipal para a campanha e imposto "ostensiva pressão", principalmente sobre os comissionados, ameaçados de demissão caso não apoiassem a campanha de Sueli. O inquérito da Polícia Federal também trata da extorsão cometida contra os comissionados.

Outro vídeo que chegou ao MPE mostra um caminhão de campanha na área da empresa Mosca, que tem contrato com a Secretaria de Serviços da Serra. A ação aponta que a empresa fornecia combustível para carros de campanha, mas a legislação proíbe a doação por parte de empresas concessionárias ou permissionárias do poder público. Essa denúncia é considerada a mais grave por Bérenger.

"São casos muito graves. Coação de servidores, aproveitamento de programa da Serra Cidadã como distribuição de cestas básicas e, mais grave ainda, é o financiamento de campanha por uma empresa que recebe dinheiro municipal".

O representante da empresa Mosca no Espírito Santo, Amilton Gonçalves, também é citado na ação do MPE e, assim como Sueli e Sérgio Vidigal, pode ficar inelegível por oito anos e pagar multa. Amilton foi um dos presos nesta quarta-feira na operação "Em nome do filho".

Relação entre a operação da PF e a ação do MPE


De acordo com o procurador regional eleitoral a ação do MPE e a operação da Polícia Federal têm em comum provas e denúncias. Ele afirmou que o casal Vidigal foi citado também no inquérito policial, mas não soube precisar a participação deles no esquema investigado pela PF.

A diferença entre a ação do Ministério Público e a da polícia é que a primeira ocorre na área cível e a segunda na área criminal. O fato de serem realizadas na mesma data foi, de acordo com o procurador, "uma certa coincidência".

O corregedor-geral do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Álvaro Bourguignon, deve decidir nesta quinta-feira (16) se aceita o pedido liminar do MPE para a não diplomação da pedetista. A sessão de diplomação está marcada para a próxima sexta-feira (17). Mesmo que a liminar seja deferida, a defesa de Sueli pode recorrer da decisão até o dia da posse, em fevereiro. O pleno do TRE deve julgar os outros pedidos do MPE.

Além das punições previstas para Sueli, caso sejam condenados por abuso de poder político e econômico, Sérgio Vidigal, Nazaret Pimentel e Amilton Gonçalves podem ficar inelegíveis por até oito anos. Eles podem ainda ser condenados ao pagamento de multa.

Contas aprovadas


As contas de campanha da deputada Sueli Vidigal foram aprovadas nesta quarta-feira por três votos a dois pelo Pleno do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), mas com ressalvas. Bérenger, que também faz parte do TRE, votou contra a aprovação, assim como o relator do caso, juiz Júlio César Costa de Oliveira, mas foram votos vencidos. De acordo com o procurador regional eleitoral a aprovação das contas não interfere nem no inquérito da Polícia Federal nem na tramitação da ação do Ministério Público Eleitoral.

Defesa diz que deputada é inocente
Alegando inocência de sua cliente, a deputada federal reeleita Sueli Vidigal (PDT), o advogado Marcelo Nunes afirmou que a ação do Ministério Público servirá inclusive como uma oportunidade a mais para que a defesa esclareça os fatos.

Nunes alegou que as acusações são frutos "de inúmeras denúncias praticadas pelos adversários políticos, muitos deles com domicílio na Serra", cutucou sem citar nomes - o principal adversário da família Vidigal é o deputado federal eleito Audifax Barcelos.

Das acusações, o advogado defendeu Sueli justificando que vários pontos do processo aberto pelo Ministério Público, como a suposta distribuição de cestas básicas e a veiculação de outdoor de boas festas - caracterizada como autopromoção visando o processo eleitoral - já foram alvos de ações anteriores pelas quais, segundo ele, a deputada foi inocentada. Nunes ainda disse que aguarda pela notificação para apresentar a defesa no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Fonte: Gazeta on line


quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

PF faz devassa na Serra atrás de ‘caixa 2’ da campanha milionária de Sueli Vidigal

O PAU QUEBROU PRO LADO DO CASAL VIDIGAL


Desde as primeiras horas desta quarta-feira (15), agentes da Polícia Federal, por determinação da Justiça Eleitoral, realizaram diligências para cumprir mandados de busca e apreensão nas empresas Grafitusa e Mosca Grupo Nacional de Serviços e na Secretaria de Serviços da prefeitura da Serra. A operação “Em Nome do Filho”, como foi intitulada, também apreendeu documentos e computadores no escritório de contabilidade de Marcos Antônio Teles Gonçalves, chefe de Gabinete do prefeito Sérgio Vidigal.

Além de Teles, a polícia prendeu mais quatro pessoas que estariam ligadas a um suposto esquema de “caixa 2” na campanha eleitoral da deputada federal reeleita Sueli Vidigal (PDT). Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão e 13 de busca e apreensão nos municípios de Serra, Vitória e também em São Paulo.

As primeiras diligências aconteceram simultaneamente na Gráfica Grafitusa, em Jardim Camburi, Vitória, e na casa do empresário Túlio Samorini, dono da empresa. Em seguida, os policiais federais apreenderam documentos e computadores no escritório de contabilidade de Marcos Teles, no Centro da Serra. O chefe de Gabinete do prefeito Sérgio Vidigal foi também o contador da campanha milionária da deputada Sueli Vidigal.

Os policiais também recolheram documentos da Secretaria de Serviços da Serra, que mantém contratos com a empresa Mosca. O responsável pela empresa no Estado, identificado como Amilton, também foi detido. Ao mesmo tempo, policiais federais prendiam na capital paulista o empresário Alberto Piantini, dono da Mosca.

A quinta pessoas presa seria a servidora da prefeitura da Serra Nilza Aparecida Cordeiro Viana, lotada atualmente na Secretaria de Saúde do município. Nilza, que também é do PDT, foi uma das “sueletes” mais dedicadas na campanha vitoriosa que elegeu a amiga Sueli a terceira deputada mais votada do Estado.

Ao longo da investigação, a Polícia Federal verificou a ocorrência de outros crimes. O mais grave consistia em impor aos funcionários comissionados da prefeitura da Serra o apoio incondicional a Sueli Vidigal e a outros candidatos apoiados pela deputada. Caso o servidor se recusasse a seguir a recomendação dos assessores do casal Vidigal, corria o risco de ser exonerado. A prática, de acordo com a Justiça Eleitoral, configura crime de extorsão. A PF recomenda ainda que outros servidores que tenham sido vítimas desse crime procurem a Polícia Federal para formalizar a denúncia.

Das cinco pessoas presas, duas delas, além dos crimes cometidos, tentaram também interferir nas investigações, exercendo pressão sobre as testemunhas a fim de impedir ou influenciar os depoimentos. Tudo com o intuito de encobrir os crimes praticados.

Mosca e Sueli

A relação de proximidade entre a prefeitura da Serra e a Mosca Grupo Nacional de Serviços não é recente. Nas eleições de 2006, a empresa foi uma das doadoras de campanha da candidata que concorria à Câmara dos Deputados. À época, a Mosca doou R$ 50 mil à campanha de Sueli.

A empresa mantém contratos com a prefeitura da Serra. No dia 15 de maio de 2009, a prefeitura publicou no Diário Oficial do Estado o extrato de um contrato emergencial (299/2009) com a empresa Mosca Grupo Nacional de Serviços no valor de R$ 4.394.518,14. O contrato de 180 dias, firmado com a prefeitura, estabelecia que a empresa realizasse serviços de capina, pintura de meio-fio, limpeza de praias, manutenção de praças e jardins e coleta e remoção de resíduos.

No dia 24 de setembro de 2009, a empresa aparece no Diário Oficial do Estado como vencedora de uma licitação no valor de R$ 23.969.814,93.

Já no início de abril deste ano a prefeitura da Serra informa, conforme publicado no Diário Oficial do dia 7 de abril, que concedeu à empresa Mosca um termo aditivo, sobre o contrato inicial (582/2009) de R$ 23.969.814,93, de 30%, índice que reajustou o contrato para o valor global de R$ 31.118.789,45.

Durante a campanha, a PF chegou a prender funcionários da empresa e da prefeitura, que trabalhavam em conjunto para Sueli Vidigal. No dia 10 de outubro deste ano, policiais federais flagraram empregados da Mosca fixando propaganda eleitoral no município da Serra, localidade de Areinha. A empresa alegou à época a PF que “possui contrato com o município da Serra e, portanto, está impedida de prestar qualquer tipo de serviço com fins partidários/eleitoral (art. 346 do Código Eleitoral)”.

Fonte: Folha Vitoria


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

CNT/Sensus: Dilma lidera com 51,9% e Serra tem 36,7%

A vantagem de Dilma para Serra aumentou de cinco pontos porcentuais da pesquisa anterior, na semana passada


A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, tem 51,9% das intenções de voto, ante 36,7% de seu adversário, o tucano José Serra, segundo pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta manhã. A vantagem de Dilma para Serra aumentou de cinco pontos porcentuais da pesquisa anterior, na semana passada, para 15,2 pontos agora. No levantamento anterior, Dilma tinha 46,8% e Serra, 41,8%.

Ao se considerar somente os votos válidos - o que exclui nulos e brancos e se redistribui os indecisos proporcionalmente, Dilma tem 58,6% e Serra, 41,4%. A rejeição à candidata petista caiu de 35,2% da pesquisa anterior para 32,5%. Já a rejeição a Serra subiu de 39,8% para 43%.

O levantamento, com margem de erro de 2,2 pontos porcentuais, foi feito com dois mil eleitores, entre os dias 23 e 25 de outubro, em 136 municípios e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 37609/2010.

Fonte: Agencia Estado


terça-feira, 26 de outubro de 2010

Dilma tem 56% dos votos válidos contra 44% de José Serra


No total das intenções de voto, petista tem 50% e tucano 40%

Pesquisa Datafolha sobre o segundo turno da sucessão presidencial realizada em 21 de outubro mostra a candidata do PT Dilma Rousseff na liderança com 56% dos votos válidos. José Serra, do PSDB, fica com 44%. Foram entrevistados 4037 eleitores em todas as unidades da Federação e a margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais.

Em comparação com a pesquisa anterior, feita há uma semana, Dilma oscilou positivamente dois pontos percentuais nos votos válidos – tinha 54%. Conseqüentemente José Serra perdeu dois pontos – alcançava 46% em 14 de outubro. É importante lembrar que o cálculo dos votos válidos exclui brancos, nulos e indecisos, distribuindo-os proporcionalmente segundo o percentual obtido por cada candidato.

No total das intenções de voto, a petista alcança 50% contra 40% do tucano. Dizem que votarão em branco ou anularão o voto 4% dos entrevistados, enquanto 6% mostram-se indecisos. Em relação à pesquisa anterior, Dilma cresceu três pontos percentuais e Serra oscilou um ponto. Há uma semana, ela tinha 47% e ele 41%.

Segmentando-se os resultados, nota-se crescimento da ex-ministra principalmente entre os que moram no Norte, Centro-Oeste (quatro pontos) e Nordeste do país (cinco pontos). A petista também cresceu entre os mais jovens (seis pontos), entre os homens (quatro pontos), entre os que possuem renda de até 2 salários mínimos (quatro pontos) e entre os que têm nível fundamental de escolaridade (dois pontos).

Entre os que votaram em Marina Silva (PV) no primeiro turno da eleição, Dilma cresceu oito pontos percentuais e Serra caiu cinco. Há uma semana, nesse mesmo estrato, o tucano tinha 51% e agora tem 46%. A petista aparecia com 23% e agora tem 31%.

Quanto ao número que deverão digitar na urna eletrônica para confirmar o voto para presidente no segundo turno, 84% dos eleitores respondem corretamente os algarismos. Entre os que pretendem votar em Dilma, essa taxa é de 87% e entre os que preferem Serra, ela é de 84%.

Sobre o grau de decisão do voto, 88% dos eleitores brasileiros se dizem totalmente decididos contra 10% que ainda cogitam a possibilidade de mudar de opinião. Entre os eleitores da petista, essa taxa é de 90% e entre os do tucano é de 89%. Comparando-se esses dados com os da pesquisa anterior, não são verificadas mudanças significativas.

Em relação à rejeição, tomando-se como base aqueles que hoje não votam em Dilma, 69% afirmam que não votariam de jeito nenhum na petista. Ainda nesse segmento, 22% até cogitam a possibilidade de fazê-lo e 2% admitem que, se necessário, o fariam com certeza.

Essas taxas são parecidas para José Serra. Entre os que não votam no tucano, 67% o rejeitam, 24% até poderiam elegê-lo e 2% o fariam com certeza.


Faltando menos de dez dias para o segundo turno, cresce a audiência do horário eleitoral

A fatia do eleitorado que viu algum dos programas de Dilma ou Serra no horário eleitoral gratuito na TV cresceu na última semana. No primeiro levantamento do Datafolha que mediu a audiência da propaganda eletrônica dos presidenciáveis, na semana passada, 52% dos eleitores afirmaram ter assistido, pelo menos uma vez, ao horário eleitoral no segundo turno. No levantamento atual, esse índice aumentou para 63%. Na região Sul, essa alta foi mais intensa: de 57% para 71%. No Norte/Centro Oeste, foi de 52% para 66%. As propostas feitas pela TV por Dilma e Serra têm tido menos exposição no Nordeste, onde 61% dizem ter assistido a algum programa, ante 52% na semana anterior, e no Sudeste, onde a audiência passou de 51% para 62%.

Os homens (65%) viram mais o horário eleitoral do que as mulheres (62%). Teve acesso abaixo da média aos programas televisivos o grupo de eleitores que estudou até o ensino fundamental (57%) e os que têm renda familiar mensal de até dois salários mínimos (59%).

Entre os eleitores que dizem ter visto o horário eleitoral, 97% afirmam ter assistido a pelo menos uma das peças de Dilma, índice que é de 95% para o tucano. O programa da petista foi avaliado como ótimo ou bom por 54% de seus telespectadores. Outros 27% consideraram-no regular, e 14%, péssimo. Entre os telespectadores de Serra, 48% dizem que seu programa é bom ou ótimo, enquanto 29% o avaliaram como regular, e 15%, como ruim ou péssimo.

No Nordeste, onde lidera as intenções de voto, o horário eleitoral de Dilma foi considerado ótimo ou bom por 66% dos eleitores que o assistiram, enquanto 44% dizem o mesmo sobre o programa do tucano. Já no Sul, onde quem está à frente é Serra, a propaganda na TV do tucano é vista como ótima ou boa para 53%, nível de avaliação que ficou em 44% entre os eleitores que viram o programa da petista na região.

Os eleitores mais disputados deste segundo turno – aqueles que votaram em Marina Silva (PV) no último dia 3 – têm avaliação melhor do horário eleitoral de Serra do que da adversária petista. Entre os que votaram em Marina no primeiro turno e assistiram ao programa de Dilma, 43% consideraram-no ótimo ou bom, enquanto 34% disseram ser regular e, 18%, ruim ou péssimo. No grupo de eleitores que votou na candidata do PV e viu o horário eleitoral de Serra, 51% o avaliaram como ótimo ou bom. Outros 31% dizem que o programa televisivo é regular, e 12%, péssimo.

O debate Folha/RedeTV, realizado no domingo passado, foi assistido, inteiro ou em parte, por 25% dos eleitores. Na região Nordeste, o encontro entre Dilma e Serra foi visto por 28%, patamar semelhante ao Sul (27%) e Norte/Centro Oeste (26%) e mais alto do que no Sudeste (23%). A audiência masculina (29%) do debate foi maior do que a feminina (22%).

Questionados sobre quem venceu o debate, levando em conta o que viram ou ouviram falar sobre o encontro, 24% apontam o nome de Serra e 23% indicam Dilma, o que caracteriza um empate técnico. A fatia dos que não sabem responder à pergunta é de 47%. Considerando somente quem assistiu ao debate, inteiro ou em parte, 44% dizem que o tucano se saiu melhor, enquanto 38% dizem o mesmo sobre Dilma. O resultado é ainda mais favorável ao tucano entre aqueles que viram todo o debate: 47% dizem que ele se saiu melhor , ante 37% que indicam a petista como vencedora.

Entre os eleitores que votaram em Marina Silva no primeiro turno, 25% disseram que Serra venceu o debate, enquanto 16% apontaram a candidata do PT como a vencedora.

Provocações e cobranças esquentam debate da Record com Dilma e Serra

Os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) travaram um confronto direto em debate acalorado da TV Record nesta segunda-feira (25), a menos de uma semana do segundo turno. O formato do programa, com perguntas entre os candidatos, permitiu um embate sem rodeios entre a petista e o tucano.

Em mais de um momento, Serra tentou fugir das cobranças de Dilma sobre o ex-diretor da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto. O tucano voltou a dizer que o PT inventou a história. Souza é acusado de arrecadar R$ 4 milhões em doações para um suposto caixa dois da campanha de Serra, segundo revista IstoÉ.
Na réplica, Dilma cobrou o tucano.

- Vocês encobrem o que ele faz. [...] que ele teve a ver com recursos públicos e, além disso, ele está envolvido na Castelo de Areia [operação da PF] por desvio de recursos.

Em outro momento, a petista lembrou que Souza foi responsável por projetos importantes quando Serra era governador de São Paulo: o Rodoanel, ampliações na marginal Tietê e a expansão da avenida Jacu Pêssego.

Para dar o troco na petista, Serra citou o escândalo que envolveu a Casa Civil, as denúncias contra Valter Luiz Cardeal, presidente do Conselho de Administração da Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica, e voltou a falar de José Dirceu e do mensalão.

Dilma também acusou Serra de tentar se apropriar do Bolsa Família, principal programa de transferência de renda do governo Lula.

Em mais um momento tenso, Serra acusou Dilma de entrar em contradição sobre alguns assuntos durante a campanha como aborto, privatizações e MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra).

Serra, ao longo do programa, quis mostrar que sua prioridade é o Nordeste, região onde a adversária petista disparou nas intenções de voto. Mais de uma vez o tucano fez questão de dizer que conhece e sabe “muito bem” como resolver os problemas a região.

Petrobras e privatização

No início do segundo bloco, Serra escolheu a Petrobras para dizer que a campanha de Dilma “mente” quando o acusa de querer “privatizar” o petróleo da camada do pré-sal. A petista defendeu ainda que a verba do pré-sal seja investida em áreas como educação, infraestrutura, ciência e meio ambiente.

Serra, na resposta a outra pergunta, volta ao tema da Petrobras e diz que não é possível entender a argumentação da adversária, que o acusa de querer privatizar os direitos de exploração do petróleo da camada do pré-sal.

O tucano também negou que o governo FHC tenha tentado mudar o nome da Petrobras para Petrobrax.

Meio ambiente

Outro tema que tomou conta do segundo bloco foi o meio ambiente, principal bandeira de Marina Silva (PV), derrotada no primeiro turno. Serra tentou colar sua imagem na candidata verde. Dilma defendeu as metas fixadas pelo governo Lula para reduzir em 39% as emissões de gás carbônico do país até 2020. Segundo ela, isso inclui reduzir em 80% o desmatamento na Amazônia e em 40% no Cerrado.

Juros e impostos

Serra atacou a política econômica do governo Lula, que, segundo ele, é caracterizada por "juros siderais, a maior carga tributária do mundo desenvolvido e a menor taxa de investimento do mundo civilizado". Além disso, minimiza a geração de 14 milhões de empregos da atual gestão. Em sua visão, o que mudou foi o "aumento da fiscalização", o que colaborou para incrementar a formalização do trabalho.

A petista promete que vai desonerar os investimentos das pequenas empresas e a folha salarial para, com isso, continuar incentivando o consumo no país.

MST e promessas

Serra iniciou o terceiro e último bloco questionando Dilma sobre seu posicionamento a respeito do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra). Dilma disse que, no governo Lula, houve menos invasões do que na gestão FHC.

- Não tratamos nenhum movimento social nem com cassetete, nem com repressão.

A petista afirma que não aceita episódios como o de Eldorado dos Carajás, quando sem-terra morreram em um confronto com a polícia, em 1996, durante a gestão FHC.

- Tenho uma clareza: o MST é uma coisa, nós [o governo] somos outra.

Serra insiste em dizer que Dilma vestiu o boné do MST após ter prometido que não faria isso. O tucano também ataca o movimento, dizendo que ele "usa a reforma agrária como pretexto" para agir com violência e "quebrar a ordem jurídica”.

Dilma afirma que Serra não pode fazer promessas, porque "rasgou" as que fez, em referência ao documento que o tucano assinou com o compromisso de cumprir o mandato caso fosse eleito prefeito de São Paulo. Ainda sobre o MST, a candidata do PT concluiu.

- O MST é questão de política social.


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Questões de São Paulo dominam novo debate na TV entre Dilma e Serra

Os dois também tiveram de dar explicações sobre Erenice Guerra, no caso de Dilma, e Paulo Vieira de Souza, no caso de Serra

No segundo debate entre os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) desde o primeiro turno, os candidatos deixaram de lado temas como aborto e religião e colocaram São Paulo no centro das discussões. A petista e o tucano debateram a educação no Estado, políticas para o tratamento de drogados e até iniciativas do governo paulista relacionadas à compra de uma distribuidora de gás pela Petrobras.

Os dois também tiveram de dar explicações sobre pessoas próximas suspeitas de irregularidades - Erenice Guerra, no caso de Dilma, e Paulo Vieira de Souza, no caso de Serra. A empresa que provocou controvérsia é a Gas Brasiliano, que distribui gás no interior de São Paulo. Dilma acusou o governo paulista de tentar impedir que a Petrobras compre a distribuidora da multinacional italiana ENI.

Segundo a candidata do PT, que atribui ao adversário a intenção de privatizar a Petrobras e o pré-sal, o governo de São Paulo tem feito gestões para impedir que o Cade, órgão regulador do Ministério da Justiça, dê aval ao acordo fechado em maio entre a estatal brasileira e a ENI. Isso, de acordo com Dilma, favoreceria uma empresa japonesa concorrente da Petrobras.

Serra acusou o governo federal de ter promovido um loteamento político na Petrobras e em empresas ligadas a ela. Insinuou que até o ex-presidente Fernando Collor teria influência na estatal. O tucano também citou os Correios como exemplo de empresa em que vigora a lógica do rateio político.

São Paulo voltou ao centro do debate quando Dilma questionou Serra por supostos resultados fracos da rede pública estadual de ensino. O tucano afirmou que exames de avaliação feitos pelo próprio governo federal mostram que o Estado foi um dos que mais avançaram na educação pública. Na tréplica, a petista disse que as boas notas de São Paulo se deviam à metodologia do exame, que dá peso alto à aprovação dos alunos. "Aqui há aprovação automática", observou.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Antes da TV, Dilma alcança 48% contra 41% de Serra


Petista tem 54% dos votos válidos

A primeira pesquisa Datafolha sobre o segundo turno da eleição para presidente da República mostra Dilma Rousseff (PT) com 48% das intenções de voto contra 41% de José Serra (PSDB). No levantamento realizado no dia 8 de outubro em todo o território nacional, 4% dos entrevistados dizem que vão votar em branco ou anular o voto, enquanto outros 7% mostram-se indecisos.

Considerando-se apenas os votos válidos, a petista tem 54% e o tucano 46%. Como as simulações anteriores de segundo turno eram apenas hipotéticas, o Datafolha não compara os resultados atuais com dados obtidos antes do primeiro turno.

Estratificando-se os resultados, nota-se preferência por Dilma principalmente entre os habitantes do Nordeste (62%), entre os menos escolarizados (54%), entre os homens (52%) e entre os que têm renda de até dois salários mínimos (52%). A petista também fica acima entre os que defendem a ampliação da lei que permite o aborto em mais casos do que os previstos atualmente em lei (52%), e entre eu se dizem católicos (51%).

Serra tem seu melhor desempenho entre os que possuem renda familiar maior do que 10 salários mínimos (58%), entre os que têm nível superior de escolaridade (50%), entre os evangélicos - tanto os não pentecostais (48%) quanto os pentecostais (49%) – entre os espíritas (48%) e entre os que moram na região Sul do país (48%).

Sobre o grau de certeza do voto, 89% se dizem totalmente decididos em relação ao candidato que escolheram. Para 10%, porém, o voto ainda pode mudar. Entre os que pretendem votar em Dilma Rousseff, 90% se dizem totalmente decididos, e entre os que preferem o tucano, essa taxa é de 90%.

Entre os que não escolhem Dilma, 68% afirmam que não votam na petista de jeito nenhum, enquanto 24% até cogitam a possibilidade. No estrato dos que não votam em Serra, essas taxas são de 63% e 28%, respectivamente.

Quanto ao número que deverão digitar na urna eletrônica para concretizar o voto no segundo turno, 79% acertam os algarismos contra 19% que admitem não saber como proceder e 2% que erram ao arriscar uma resposta. Entre os que pretendem eleger Dilma, 86% acertam o 13 e entre os que querem votar em Serra, 74% citam o 45.


Entre os eleitores de Marina, Serra tem 51% e Dilma 22% das intenções de voto
Apoio da candidata do Partido Verde divide opiniões; 18% de seus eleitores ainda estão indecisos

Entre os que votaram na candidata do PV, Marina Silva, no primeiro turno da eleição para presidente da República, 51% dizem que optarão por José Serra no segundo turno. Preferem Dilma Rousseff (PT) 22%, enquanto 18% se dizem indecisos e 9% pretendem votar em branco ou anular o voto.

O apoio de Marina a um dos candidatos que disputam o segundo turno divide os brasileiros. Para 42%, a candidata deveria apoiar Dilma, enquanto 41% afirmam que ela deveria apoiar Serra. Outros 7% dizem que Marina não deveria apoiar ninguém e 10% não souberam responder. Entre seus eleitores 54% afirmam que a candidata deveria apoiar Serra e 23% Dilma.

Sobre quem de fato os entrevistados acham que Marina vai acabar apoiando no segundo turno, 38% citam Serra, 32% Dilma e 8% respondem nenhum dos dois. Não souberam opinar 22%. Para 54% dos seus eleitores, Marina irá apoiar José Serra e 17% acreditam que Marina apoiará Dilma.

Com base no total da amostra, nota-se que a maioria dos eleitores (56%) julga indiferente o apoio de Marina na escolha do candidato no segundo turno. Dizem que até poderiam votar no candidato apoiado por Marina 26%, enquanto para 13%, o fato seria motivo de rejeição.

Sobre o apoio de Lula, 39% afirmam que poderiam votar na candidata do presidente, enquanto para outros 41% o fato é indiferente. Ele geraria rejeição em 16% dos casos.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

No 1º duelo, Dilma parte para ataque a Serra



São Paulo - O primeiro debate entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) no segundo turno da campanha eleitoral foi marcado por polêmicas em torno de temas como legalização do aborto, privatizações e corrupção. Pela primeira vez, a iniciativa de atacar partiu da petista.

O tom do confronto se revelou logo no início do evento, exibido pela TV Bandeirantes. Dilma disse estar sendo vítima de "calúnias, mentiras e difamações" e acusou o vice de Serra, Índio da Costa, de organizar grupos para atingi-la. O tucano, nesse momento, abordou a questão do aborto pela primeira vez. "Você disse que era a favor da liberação do aborto, depois disse que era contra. Aí se trata de ser coerente, de não ter duas caras", afirmou.

Em resposta, Dilma chamou o adversário de "mil caras" - termo que usou em outras duas ocasiões. A petista disse ainda que foi o próprio Serra, quando ministro da Saúde, quem "regulamentou o acesso ao aborto" no SUS (Sistema Único de Saúde).

O candidato do PSDB respondeu que apenas deu forma a uma norma técnica para balizar o atendimento de abortos relacionados a estupros ou a risco de vida para a gestante - os únicos casos em que são permitidos pela legislação. "Nunca defendi a liberação do aborto. Você defendeu e de repente muda. Com relação a Deus, é a mesma coisa. Em entrevistas, você diz que não sabe se acredita, se não acredita, e depois vira uma devota."

Os candidatos também polemizaram sobre as privatizações e a Petrobras. A petista criticou a venda de ações da estatal, promovida pelo governo Fernando Henrique Cardoso, e procurou contrapor a operação à recente capitalização da empresa.

Serra acusou o PT de ter práticas diferentes do discurso em relação a privatizações, já que o próprio governo Lula vendeu dois bancos estatais. "É só chegar a campanha e o PT volta com essa estória. O governo (Lula) também aumentou a participação privada no Banco do Brasil."

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Datafolha: vantagem de Dilma sobre Serra cai 3 pontos


São Paulo - A vantagem da candidata do PT à sucessão presidencial, Dilma Rousseff, caiu de 24 para 21 pontos porcentuais em relação ao seu principal oponente, José Serra (PSDB). Divulgada na noite de hoje, a pesquisa Datafolha encomendada pelo jornal Folha de S.Paulo e pela Rede Globo mostra a petista com 49% das intenções de voto, enquanto Serra tem 28%. Na sondagem anterior, divulgada no dia 16, Dilma liderava com 51%, enquanto Serra tinha 27%. O resultado, mesmo com a oscilação nos números, confirma uma vitória em primeiro turno da petista, levando em conta os votos válidos.

A candidata do PV, Marina Silva, foi de 11% para 13% das intenções de voto em relação à mostra anterior. Os demais candidatos não alcançaram 1%. O total de votos brancos e nulos somou 3% e o dos eleitores que não sabem ou não responderam em quem vão votar ficou em 5%. Na simulação de segundo turno, a pesquisa Datafolha mostra que Dilma derrotaria Serra por 55% a 38%.

O Datafolha também avaliou a aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com a sondagem, consideraram ótima ou boa a gestão federal 78% dos entrevistados, enquanto 17% a consideraram regular e 4%, ruim ou péssima.

A sondagem foi realizada entre os dias 21 e 22 de setembro e ouviu 12.294 eleitores. A margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo número 31.330/2010.